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Saúde

Caneta emagrecedora no SUS: projeto-piloto com 250 pacientes avalia tratamento gratuito

Ministério da Saúde acompanha 250 pacientes em projeto com semaglutida. Fim de patente e novos genéricos podem abrir caminho para o SUS.

Pedro Silva

Pedro Silva

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O Sistema Único de Saúde (SUS) ainda não fornece canetas emagrecedoras para o combate à obesidade, mas um projeto-piloto em andamento pode mudar esse cenário. O estudo, batizado de Real-Bari, começou no final de junho em um hospital de Porto Alegre (RS) e acompanha 250 pacientes com obesidade grave que aguardam na fila de espera por uma cirurgia bariátrica.

Os participantes estão recebendo de forma gratuita tratamento à base de semaglutida, princípio ativo presente em medicamentos conhecidos como Ozempic e Wegovy. De acordo com o Ministério da Saúde, o objetivo do estudo é analisar a adaptação da terapia à realidade da rede pública e mensurar o impacto financeiro de sua eventual adoção. Atualmente, a principal alternativa oferecida pelo SUS contra a obesidade é a cirurgia bariátrica, cujo tempo de espera na fila pode se estender por anos.

Impacto financeiro e o fim da patente

A chegada desses medicamentos ao SUS vinha sendo barrada principalmente pelo alto custo. No ano passado, a Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS (Conitec) rejeitou pedidos para incluir a semaglutida e a liraglutida (presente em remédios como Saxenda) porque o impacto financeiro estimado ultrapassaria R$ 8 bilhões.

No entanto, o cenário começou a se transformar em março deste ano, com o fim da patente da semaglutida. A quebra da exclusividade da farmacêutica Novo Nordisk abriu espaço para novos fabricantes. Diante disso, o Ministério da Saúde solicitou prioridade à Anvisa para analisar registros de novos medicamentos baseados em agonistas de GLP-1. A agência já recebeu dezenas de pedidos, aprovando recentemente novas opções como a Ozivy (fabricada pela EMS) e outros cinco medicamentos com semaglutida (Zempneo, Semavy, Orsema, Seemasun e Owozy).

A expectativa da pasta é que o aumento da concorrência reduza os preços de forma expressiva, fator determinante para reavaliar a incorporação no sistema público.

Nova proposta e restrição de público

A fabricante Novo Nordisk apresentou em junho um novo pedido à Conitec para incluir a semaglutida no SUS. Desta vez, a empresa ofereceu um desconto de 59% no valor de referência e sugeriu focar em um público mais restrito: pacientes com mais de 45 anos, sem diabetes, com obesidade grave e histórico de infarto.

Segundo a farmacêutica, estudos apontam que o uso do medicamento pode reduzir em até 20% o risco de morte cardiovascular, infarto e AVC nesse perfil específico. A Conitec tem um prazo de até 180 dias para emitir um parecer.

Especialistas destacam que, caso os medicamentos sejam aprovados para a rede pública, o acesso inicial também deverá ser direcionado a grupos de risco. Além disso, reforçam que o tratamento da obesidade — considerada uma doença crônica — exige planejamento de longo prazo e acompanhamento multiprofissional contínuo, envolvendo orientação nutricional e prática de atividades físicas, e não apenas o uso das canetas.


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